Desarticular as coisas, descoisificar a arte, reanimar a matéria, reestruturar
suportes.
A matéria morre?
Aliás, a matéria vive? Reanimar a matéria é um trabalho minimalista, típico
trabalho de deuses, e também de alguns loucos. Labutar nas suas formas, suas
funções no espaço, suas cores e sintonias. Matar a pinceladas e moldes, a sua
natural decadência de matéria morta, para assim dar vida, conceber novos
sentidos e personalidade artística a peças que outrora virariam sucatas de
sucatas. Criar, recriar, e ver um infinito de histórias em cada peça, mais que
isso, a cada olhar, a cada contemplação, sentidos infindos. A função da arte? A
função da coisa? Há função? Se houver, a ordem aqui é mudá-la, conceber uma
nova essência a ser captada em seus movimentos físicos ou em suas vibrações
cósmicas, e que é capaz de transformar antigos pontos de vista em novas
experiências catárticas. Vidas em objetos natimortos, sentimentos em materiais
não perecíveis, arte viva na matéria morta! (Alexandre Revoredo)
- Conceito
Partindo do preceito
que a arte tem a característica de transcender os sentidos, de inaugurar um
novo olhar sobre determinados pontos de vista, as peças de Leandro Silva,
louvavelmente cumprem o seu papel artístico, e acrescentam à arte, mais um
tópico: a reanimação, que, não fosse a plena consciência do intuito da
construção de cada peça, fatalmente cairia na ala da redundância. Explico: cada
peça, cada obra, tem em sua essência, além da originalidade da criação, a
originalidade da reutilização da matéria, transmutando-a em sua natureza, não
apenas replicando suas formas em meros clones decorativos. A Arte de Leandro
Silva transforma não só a função da matéria, como as coloca em outro patamar
cognitivo, elevando coisas, pedaços de lixo, sobras de outras peças e restos de
materiais que muito improvável viriam se
tornar obra de arte, à categoria de objeto artístico, o que por si só, já
transcende qualquer expectativa. O artista, além de prover vida a esses objetos
inanimados, ainda ousa adorná-los com luzes, movimentos e sintonia natural com
o ambiente onde expõe sua obra.
- Fotos das peças da exposição (acervo)




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