quarta-feira, 22 de maio de 2013

Exposição "Reanimando a matéria morta"

Desarticular as coisas, descoisificar a arte, reanimar a matéria, reestruturar suportes.

       A matéria morre? Aliás, a matéria vive? Reanimar a matéria é um trabalho minimalista, típico trabalho de deuses, e também de alguns loucos. Labutar nas suas formas, suas funções no espaço, suas cores e sintonias. Matar a pinceladas e moldes, a sua natural decadência de matéria morta, para assim dar vida, conceber novos sentidos e personalidade artística a peças que outrora virariam sucatas de sucatas. Criar, recriar, e ver um infinito de histórias em cada peça, mais que isso, a cada olhar, a cada contemplação, sentidos infindos. A função da arte? A função da coisa? Há função? Se houver, a ordem aqui é mudá-la, conceber uma nova essência a ser captada em seus movimentos físicos ou em suas vibrações cósmicas, e que é capaz de transformar antigos pontos de vista em novas experiências catárticas. Vidas em objetos natimortos, sentimentos em materiais não perecíveis, arte viva na matéria morta!  (Alexandre  Revoredo)

  • Conceito

      Partindo do preceito que a arte tem a característica de transcender os sentidos, de inaugurar um novo olhar sobre determinados pontos de vista, as peças de Leandro Silva, louvavelmente cumprem o seu papel artístico, e acrescentam à arte, mais um tópico: a reanimação, que, não fosse a plena consciência do intuito da construção de cada peça, fatalmente cairia na ala da redundância. Explico: cada peça, cada obra, tem em sua essência, além da originalidade da criação, a originalidade da reutilização da matéria, transmutando-a em sua natureza, não apenas replicando suas formas em meros clones decorativos. A Arte de Leandro Silva transforma não só a função da matéria, como as coloca em outro patamar cognitivo, elevando coisas, pedaços de lixo, sobras de outras peças e restos de materiais que muito improvável  viriam se tornar obra de arte, à categoria de objeto artístico, o que por si só, já transcende qualquer expectativa. O artista, além de prover vida a esses objetos inanimados, ainda ousa adorná-los com luzes, movimentos e sintonia natural com o ambiente onde expõe sua obra.

  • Fotos das peças da exposição (acervo)


























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